11 de setembro de 2012

Dos dias que parecem não acabar


Todos os dias eram cinzas. Uma garotinha. Um sonho. Em uma pequena casa no campo. Suas lágrimas faziam sonhos desaparecem. Tinha apenas em suas mãos uma fotografia e a boa lembrança de um dia poder ter convivido com ele. Mas aquilo não era o que a garotinha necessitava, ela odiava os pensamentos que lhe ocorriam durante o dia e o não ter o que fazer quando a noite chegava. Sempre lhe disseram que o seu defeito era amar demais e perdoar na mesma intensidade.  
Os dias passavam. No quarto estava seu irmão mais novo que pintava no chão azul imagens de uma vida feliz. Chovia lá fora, seu Pai roncava, sua Mãe fazia de tudo para protege-los. E ela implorava para que a chuva ficasse, porque nada no mundo era capaz de tirar aquela sensação de vazio do seu coração. Ela sentia falta do garoto, dos seus olhos, do seu sorriso e das conversas jogadas no andar de cima quando estava chovendo e eles não podiam brincar no quintal. 
La estava ela, pendurada na janela com o coração na mão e muitas fotos, que antes eram guardadas em uma caixa em baixo da cama e agora estavam espalhadas pelo quarto. Seus olhos pediam perdão, ela nunca soube muito bem  o porquê, mas achava que a culpa era sua por ele ter ido embora tão cedo. Apesar de as vezes acreditar nas palavras que um dia ele dissera: "Não é sua culpa, eu só... Tenho que partir". 
"Oh querido, por favor, não esqueça o quanto eu te amei". Ali mesmo no piso de madeira, em cima das suas lembranças, a garota dormiu. E sonhou. Eles jamais se separariam, pois sempre que ele adormecesse eles estariam juntos e as lágrimas e ódio que ela sentia durante o dia diziam adeus. 

___Ruana Lins

*Me desculpem os pensamentos soltos.

Me sinto livre quando estou com você
Mas sabendo que não estou longe de casa
Agora o que eu devo fazer
Quando todas as respostas vêm erradas?
(Meiko - Sleep)